quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Retratos de Bete






Agora seguem os dois retratos que fiz da Bete, além de outras três pinturas deste período (1985/86). Todas foram realizadas num clima de muita liberdade e experimentação. Minha única preocupação era encontrar novas possibilidades plásticas para me expressar. Tinta respingada, empastamentos, esgrafitos, figuras estilizadas, cores saturadas etc., valia tudo e tudo isto me dava um grande prazer.

1- Bete Loira - óleo sobre mansonite, 1986.

2- Bete Morena - " " " "

3- Love - " " " "

4- Cabeça de Zeus-" " " "

5- Homem com Colete Vermelho - " " " "

"Boissurubá"


Aí estão estes 2 estranhos trabalhos com suas figuras de bois e vacas correndo ou brigando. As figuras foram todas esgrafitadas sobre o fundo esbranquiçado, pintado com tinta a óleo.
- Surubança I e II, óleo sobre mansonite, 1986.

O Bestiário






Agora seguem algumas imagens da série "O Bestiário" (I, II,III, IV e V - óleo sobre mansonite, 1985).

Figuras Mironianas




Pintei vários outros trabalhos a partir do tema do "Mar dos Supersargaços" mas depois minha curiosidade por experimentar cada vez mais novas possibilidades técnicas e por abordar linguagens diferentes me fez enveredar em pouco tempo por vários caminhos diferentes.

Então fui abrindo frentes de trabalho, em cada uma pintando séries de dez ou mais quadros e depois mudando para outra experimentação. Como ficava muito à vontade no atelier da EBA (embora também continuasse pintando também em casa), fazia o que me vinha à cabeça sem muita preocupação com nota ou aprovação (felizmente, de um modo geral, os professores gostavam do que eu fazia). Desta fase, entre 1984 e 85 são os trabalhos postados a partir de agora.

Os primeiros 3 são influenciados pelas pinturas de Miró, tanto nas cores quanto nos grafismos.

Os seguintes talvez tenham vagamente alguma coisa com Klee (umas figurinhas que têm também relação com "Os Sábios", quadro já postado aqui no blog). Chamei a esta série de "Bestiário" .
Muito relacionados com "O Bestiário" são os 3, chamados de "Etruscos" por um dos meus professores da época. Mas prefiro chama-los de "Boissurubá".

A seguir vêm os dois retratos da Bete (minha esposa), que pintei quando começamos a namorar (ela era de uma turma à frente da minha) e que são pura fantasia apaixonada. Coloco com estes trabalhos alguns outros que de certa forma são "retratos" bastante curiosos pintados nesta época.
Por fim exponho a série de "Paisagens", onde árvores estilizadas são o tema central.

Todos foram pintados com tinta a óleo sobre mansonite (a "figura Mironiana III" foi pintada sobre papelão) sendo suas medidas de pequeno à médio formato. Alguns são muito empastados, já outros combinam tinta liquefeita jogada sobre o suporte com empastamentos. E existem trabalhos esgrafitados (já denunciando minhas experiências iniciadas nesta época com a xilogravura). Relacionando todos eles estão as cores sempre intensas, as variações de textura e os efeitos gráficos. Enfim, embora muitos sejam diferentes uns dos outros, são todos meus filhos queridos.
Figura Mironiana (I, II e III, óleo sobre mansonite, 1985).

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Mergulhando Fundo na Pintura


A partir de 1983, tendo já iniciado a parte profissional do Curso de Pintura na EBA/UFRJ, passei a me dedicar ainda mais intensamente ao meu aprendizado e ao desenvolvimento de uma linguagem pictórica pessoal. Com ou sem professor (vide texto anterior), de 2ª a 6ª feira começava a pintar às sete da manhã, quando o atelier era aberto, e só parava para almoçar ou assistir, à contragosto, alguma aula teórica. Mas geralmente só saia do atelier às seis da tarde, quando o administrador me expulsava.

O atelier de pintura, que então ficava no 7º andar, era bastante animado na parte da manhã, estando sempre cheio de colegas e visitantes curiosos, mas isso não me tirava a atenção do trabalho. À tarde o movimento caia bastante e, geralmente, só ficavam aqueles que realmente queriam trabalhar. Este era o momento mais produtivo para mim, pois eu, que morava em São Gonçalo, um município distante da faculdade (do outro lado da Baia da Guanabara), tinha que aproveitar ao máximo o tempo para criar, dar forma aos meus sonhos. Contudo, a "muvuca" não deixava de ser agradável e, enquanto pintava, ia interagindo com meus colegas num clima de trabalho e descontração muito positivo. Fiz boas amizades nesta época, que perduram até hoje.

Estava voltado, nesta ocasião, para o desenvolvimento de experiências técnicas e temáticas, ainda ligadas à fase anterior, mas já apresentando mudanças importantes. Algumas destas pinturas foram realizadas num contexto um tanto surrealista, enquanto outras eram mais soltas e despojadas. Queria sempre experimentar maneiras variadas de pintar assuntos cada vez mais diversificados, fantasiosos e diferentes. E com o aprendizado sobre técnicas e materiais que fui obtendo em disciplinas como Teoriada Pintura (na qual aprende-se a preparar telas e a lidar com técnicas tradicionais de pintura como as têmperas, a tinta a óleo, a aquarela, o afresco etc.) pude aumentar minhas possibilidades de experimentação pictórica.

Meus quadros desta época começaram a atingir um intenso colorido, o desenho tornou-se cada vez mais preponderante na organização das composições, as texturas mais variadas, a tela cada vez mais deixava de ser uma janela ilusionista para se tornar o suporte plano das minhas ideações plásticas. Movido pelo desejo de desenvolver ao máximo meu potencial como artista, me lancei ousadamente nestas experimentações pictóricas, não me preocupando muito se havia coerência entre os diversos resultados alcançados (hoje percebo que sempre existe uma ligação entre tudo o que faço).

Havia lido há algum tempo o "Livro dos Danados" de Charles Forte, no qual o autor faz uma espécie de inventário de coisas absurdas que aconteciam (e ainda hoje acontecem) pelo mundo afora e que são publicadas nos jornais: chuvas de sapos, de sangue, de peixes etc.; aparições e desaparições inusitadas, enfim coisas estranhas e, como diz minha mãe, do "arco da velha". Pois bem, este autor sustentava que deve existir algum lugar ao redor do mundo (eu diria em uma outra dimensão) caoticamente repleto de tudo o que se possa imaginar. E deste local proviriam as estranhas chuvas e outros fenômenos esquisitos e misteriosos que acontecem no nosso planeta.

Bem, com minha mente sempre ávida por mistérios, fiquei muito impressionado com estas idéias e resolvi utiliza-las como temas das minhas pinturas e desenhos. Daí surgiu a série "O Super Mar dos Sargaços" (nome que Charles Fort dava a este mundo paralelo), cheio de formas de animais assombrosos, asteróides, cometas e curiosidades turbilhonando no céu. As duas pinturas postadas com este texto, "O Caracol Emplumado" (óleo s/tela, 80 X 59 cm, 1984) e "A Tartaruga Centopéia" (óleo s/ tela, 75 X 58 cm, 1984) são dois exemplos bem-humorados, das criaturas exóticas que habitam este mundo estranho.
Nestas duas pinturas é flagrante o intenso uso do desenho para criar uma miríade de elementos decorativos como as volutas e espirais que flutuam pelo fundo das duas obras. As cores são utilizadas em sua máxima intensidade mas dentro de um equilíbrio que as mantêm num contexto harmonioso. Os "esfregaços" feitos com pincel macio sobre relevos especialmente preparados para este fim, são outra característica presente nestes quadros. E, além dos detalhes gráficos do fundo, chamo a atenção também para a "colcha de retalhos" sobre a qual passeia a "tartaruga" e para a carapaça e as plumas do "caracol".
Tudo isso somado serve, enfim, para valorizar o tom fantasioso do tema e também para torna-lo mais alegre e convidativo aos nossos olhos e imaginação.






sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ingressando na EBA - 1981




Após o "Mundo de Holo" e dos trabalhos postados anteriormente, todos pertencentes a minha fase adolescente, seguirei adiante narrando resumidamente a minha vivência como artista plástico, tratando ainda exclusivamente das minhas experiências no campo da pintura.

Em 1981, ingressei na Escola de Belas Artes da UFRJ, com 20 anos de idade. Havia passado no vestibular para a minha opção nº 1: o Curso de Pintura. Em casa recebi todo apoio possível, embora soubesse que meu pai teria ficado muito feliz se tivesse escolhido a profissão dele: Odontologia (eu havia trabalhado como seu auxiliar, no consultório, desde os meus 13 anos).

A minha expectativa em relação a EBA era enorme, afinal eu ia ingressar numa escola de arte cuja fundação remontava à vinda da Família Real portuguesa ao Brasil no início do séc. XIX. Contudo, confesso que fiquei um tanto decepcionado com o que encontrei. Naquela época, fazia pouco tempo que a EBA havia sido obrigada a se transferir do seu tradiconal prédio no centro do Rio (onde funciona o Museu Nacional de Belas Artes) para os corredores frios da Faculdade de Arquitetura da UFRJ, na Ilha do Fundão. Consequentemente, a poeira da mudança ainda não havia abaixado completamente, fazendo com que muita coisa funcionasse de forma meio precária e adaptada. Além disso, vários professores estavam contando os dias para se aposentarem e não se mostravam muito entusiasmados com seu trabalho, ensinando de forma automatizada e pouco profunda (com várias exceções, felizmente), havendo ainda uma divisão (de certa forma presente até hoje) entre aqueles de linha mais tradicional e aqueles mais "modernos", o que acarretava uma certa confusão na cabeça dos alunos. Com isso, passei grande parte do "Básico" (2 anos) do Curso de Pintura mais cumprindo meus "deveres escolares" do que realmente crescendo artisticamente (embora hoje em dia veja claramente que sempre estamos aprendendo, mesmo que num primeiro momento não o percebamos). Ainda bem que a EBA oferecia aos seus alunos (nos anos 80 mais do que hoje em dia) diversas Oficinas Complementares; e foi desta forma que tomei contato pela primeira vez com a cerâmica e depois com a gravura (também aprendi um pouco de estamparia e elementos de marcenaria; sobre estas experiências falarei futuramente).

Findo o Básico, passei à etapa final do curso (que também teria a duração de 2 anos): o Profissional. Mas para minha surpresa e de minha turma, justamente quando íamos finalmente mergulhar nas tintas e telas, duas professoras do atelier de pintura (as de Pintura I e II) se aposentaram. Então a improvisação tomou conta de grande parte do curso, com professores de outras disciplinas "quebrando nosso galho" para que não ficássemos sem aula. Por sorte, tivemos de ínicio um bom professor, razoavelmente entusiasmado (principalmente com aqueles em que ele percebia mais talento), que de vez em quando dava umas orientações muito boas. Foi com este professor que aprendi a diferenciar com clareza forma de conteúdo, percebendo que este nem sempre é fundamental para se obter um bom resultado, mas que sem uma forma bem resolvida qualquer trabalho de arte (especialmente a pintura) está fadado ao fracasso. Posso dizer que este foi o ensinamento principal que aprendi como aluno da EBA, e que me fez ver que muitas das minhas "viagens futuristas" estavam mais para o campo da ilustração do que da pintura propriamente dita (embora eu sempre tenha me preocupado em buscar efeitos plásticos diferentes, não orientados somente para as questões de "realismo" visual) .

Por outro lado, na falta de professores nós mesmos, os alunos, nos ajudávamos mutuamente, criticando os trabalhos uns dos outros, sugerindo, dando idéias e passando informações. Para mim esta troca foi de grande valia, servindo-me para abrir ainda mais meus horizontes para as especificidades da pintura. Foi nesta ocasião que tomei um contato maior com as questões concernentes à arte do séc. XX, conhecendo um pouco melhor o pensamento e a obra de artistas que viriam a se tornar referências em meu trabalho como Picasso, Miró, Van Gogh, Paul Klee, Max Ernest, Margrite e outros. Redescobri as diversas escolas da Arte Moderna, principalmente o Expressionismo, o Surrealismo e Abstracionismo. E praticando no atelier da EBA, com ou sem professor, fui entendendo melhor as lições que recebera nas aulas de História da Arte.

Mas o início grande mudança em minha pintura viria principalmente não por interferência de fatores externos mas principalmente por causas internas, de ordem emocional. Na passagem de 84 para 85, já próximo do fim do meu curso, minha vida sofreu uma reviravolta no campo sentimental e, de uma hora para outra, me vi "sem chão". O curioso é que pouco antes do desfecho desta questão pessoal, pintei alguns trabalhos que, embora ainda estivessem muito ligados as minhas fantasias espaciais anteriores, funcionaram (hoje vejo isto com clareza) como premonições das mudanças que em breve ocorreriam em minha vida. Mais uma vez credito isto a minha intuição que sempre me guia, especialmente nestas questões que envolvem arte.

Para ilustrar este momento de mudança, vou postar 3 pinturas feitas na passagem de 83 para 84. São elas:

- Furacão - óleo s/ tela , 60 X 80 cm - 1983.

Nesta pintura, um furacão de fogo está prestes a varrer da planície uma pequena casa, pintada no 1º plano à direita. Na ocasião pintei este quadro inspirado pela leitura do Livro "Desaparições Misteriosas" de Patrice Gaston, que trata de inexplicáveis desaparecimentos em terra, mar e ar desde o passado até o séc. XX. Hoje vejo nesta casinha um símbolo do que eu era na ocasião e o furacão como a mudança que me virou de pernas para o ar.

Em ralação aos aspectos plásticos, embora esta pintura se apoie claramente na perspectiva tradiconal (ela se baseia numa foto do livro mencionado), aspectos novos no meu trabalho são apresentados pela primeira vez, especialmente as liberdades que tomei em relação as cores, exageradas ao máximo em busca de uma grande dramaticidade. O fundo negro serve para intensificar mais ainda este efeito, devido ao forte contraste que propicia.

- A Catedral das Ilusões - óleo s/tela, 80 X 60 cm - 1983.

Um mundo de fragmentos azuis é mantido unido pela forma da catedral. Externamente, círculos concentricos num fundo de fogo são como molas tensas, prestes a demolir a catedral (uma pequena torre à direita já começa a ruir). Eu era esta "castedral": um aglomerado de idéias fantasiosas e ingênuas, que não percebia que os aspectos práticos da vida não podem ser ignorados.

Aqui os contrastes intensos de cor e tonalidade, as justaposições de formas recortadas e as demais variedades de informações visuais encontram-se extremamente comprimidas no interior do espaço pictórico. Por outro lado, ao contrário do "Furacão", neste quadro desaparece a perspectiva naturalista e a "Catedral" torna-se plana como um vitral; este tipo de solução, com abandono quase total das referências naturalistas, era um elemento novo para mim. Por isso, nesta pintura, mesmo em seu aspecto de muito exagero em vários sentidos, acredito ter encontrado um quase equilíbrio entre forma e conteúdo (o tema dramático é representado por uma forma plasticamente dramática mas não literal).

- Os Sábios - guache e óleo s/tela, 55 X 80 cm.

Três figuras caricatas, de olhar melancólico, desfilam contra um fundo praticamente chapado. Contrastando com a tristeza de suas expressões, suas cores intensas e primárias vibram alegremente. É um jogo de contradições visuais que traduz um estado de espírito que está, num determinado momento, caminhando desordenadamente da exaltação à melancolia e vice-versa.

O ponto alto desta pintura é sua cromaticidade intensa, toda construída sobre uma relação de cores saturadas primárias e secundárias. O verde transparente aplicado sobre a cabeça comprida da figura central, por sua textura meio esfumaçada e algo transparente (deixando entrever a camada inicial feita com guache na cor amarela), acrescenta um elemento de interesse visual a mais ao conjunto. Na verdade, idependente da narrativa existente neste quadro, plasticamente ele é essencialmente abstrato ( como os dois anteriores, cada um com seu grau particular de abstração).

Na próxima postagem trarei mais imagens de trabalhos desta fase que considero de transição.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O Mundo de Hôlo




A imagem que estou postando agora também pertence a fase antiga dos anos 70, que venho comentando. Trata-se da pintura intitulada " O Mundo de Hôlo" (óleo s/tela, 46 X 55 cm - 1978), que retrata o cão de estimação que me acompanhou e aos meus irmãos desde a infância. Ele morreu aos 14 anos, bem velhinho e, em sua homenagem, pintei este quadro. Na verdade foi uma tentativa minha de "sondar" o que existe do "lado de lá", mundo desconhecido que busquei representar como uma dimensão enevoada e indefinida como um sonho.

Holo está em frente a um espelho que reflete a imagem de sua nova casa ou diante de um "portal dimensional" dentro do Além? Não sei responder mas gostei muito de ter feito esta pintura, que está comigo até hoje. Ela me traz boas recordações e me faz pensar sobre o grande mistério da existência.

Além deste quadro, pintei outros em épocas posteriores para homenagear estes meus "melhores amigos" que se foram; futuramente postarei aqui estas pinturas, criadas em estilos bem diversos deste mas movidas pelo mesmo tipo de emoção que nasce de uma verdadeira amizade.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Viagens Espaciais - Fim da Jornada


Aqui concluo a postagem das imagens de pinturas feitas entre 78 e 83. No futuro, voltarei a este assunto com outros trabalhos desta fase.


19 - Luas - óleo s/tela - 46 x 56 cm - 1982.

20 - Deimos, Phobos e Stonehenge - óleo s/tela - 46 x 56 cm - 1982.

21 - A Face de Marte/ o Moal - óleo s/tela - 46 x 56 cm - 1982.

Viagens Espaciais - cont. III


A viagem continua:

15 - UFO em Órbita - acrílica s/tela, 45 x 54 cm - 1978.
16 - A Cidade Eterna - óleo s/tela, 45 x 53 cm - 1980.
17 - Mundos Alienígenas (inacabado) - óleo s/mansonite - 46 x 55 cm - 2982/83.
18 - A Sentinela - acrílica s/tela - 1978.

Viagens Espaciais - Cont. II





Seguem mais imagens desta série de trabalhos antigos:

10 -Partindo Para o Infinito - óleo s/tela, 45 x 54 cm - 1980.
11 -Passagem Entre Mundos - óleo s/tela, 46 x 54cm - 1978.
12- Satélite - acrílica s/tela, 38 x 46 cm - 1978.
13- A Mais Longa Viagem - óleo s/tela, 45 x 54 cm - 1980.
14- O Farol alienígena - acrílica s/tela, 38 x 46 cm - 1978.

Viagens Espaciais - Continuação





Em prosseguimento ao tema desenvolvido na postagem anterior, seguem mais algumas imagens:

5- Portal Para a Eternidade - óleo s/ tela, 33 x 46 cm - 1977.
6- O observador da Eternidade - óleo s/tela, 44 x 53 cm - 1978.
7- O Recepetor Solar - óleo s/tela, 46 x 55 cm - 1979.
8- Usina - óleo s/tela, 46 x 55 cm - 1979.
9- Autoban - óleo s/tela,45 x 54 cm - 1978.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Viagens Espaciais



Continuando o assunto da postagem anterior, seguem mais algumas imagens para exemplificar a minha pintura juvenil, feita aproximadamente entre 76 e 84. Meus temas prediletos desta ocasião, conforme expliquei anteriormente, e como fica óbvio nestas novas imagens, são as viagens espaciais, os mundos distantes, os UFOS e as passagens para universos paralelos.

Olhando agora para estas pinturas, percebo nelas, para além de sua natural ingenuidade (que muito me comove), o quanto eu era (e ainda sou) atraído para temas de ordem transcedente, filosófico-espirituais. Pois no fundo, por trás destas naves que decolam, destes castelos de nuvens, destes céus estrelados, está uma ânsia por respostas às velhas perguntas sobre nossas origens e destinos. Para mim, que na ocasião era apenas um garoto, um pouco introspectivo e tímido, era de crucial importância chegar "lá" ou pelo menos tentar visualizar este inefável destino.

E o meu caminho passava inevitavelmente pela arte, principalmente a arte da pintura, embora também gostasse de escrever poemas e contos de fantasia e FC. Mas era através do desenho e das cores que eu me sentia verdadeiramente realizado, pois a imagem sintetiza num instante uma idéia, além de conseguir induzir muitas outras àqueles que têm imaginação livre.

Sem falsa modéstia, outra coisa que hoje me salta aos olhos nestas pinturas, agora falando dos seus aspectos plásticos, era o quanto meu senso de proporção era já desenvolvido. Eu realmente já sabia organizar formas, cores e espaços sobre a superfície da tela sem nunca ter tido qualquer ensino formal sobre o tema (isso antes de 1981). Credito tudo isso a minha intuição, que sempre foi muito forte, principalmente quando estou criando.

Por outro lado, é muito interessante notar como as cores aos poucos foram se tornando mais presentes em meus trabalhos, especialmente naqueles que fiz após ter assistido "Contatos Imediatos" e "Guerras nas Estrelas"- aqueles ufos de cores feéricas e aquelas batalhas multicoloridas realmente me marcaram, servindo-me como modelo para criação de algumas das minhas mais coloridas obras desta fase. Da mesma forma a leitura de livros como "2001 - Uma Odisséia no Espaço" (Arthur C. Clark), "Fundação" (Isaac Asimov), "Crônicas Marcianas" (Ray Bradbury) e outras obras do gênero também me "fizeram a cabeça", lançando-me em grandes sonhos sobre o futuro da humanidade. A isto somava-se também o meu gosto (ainda presente) pela música do tipo "Rock Progressivo" feita por grupos como Yes, Pink Floyd, Gênesis, Kraftwerk, Tangerine Dream ou por Rick Wakeman. Tudo isto me inspirava, soltava minha imaginação e eu "viajava" através do espaço, rumo ao desconhecido, "a fronteira final" ("Jornada nas Estrelas" e "Perdidos no Espaço" são outras referências impotantes para mim).

Mas provavelmente alguém dirá: "este cara era um alienado que vivia no mundo da Lua". A isto respondo: sim, era mesmo. Vejo isto hoje com muita clareza, principalmente o quanto me distanciei das questões de ordem prática, do dia-a-dia, dos relacionamentos sociais, pessoais e gerais. Realmente eu vivia isolado num mundo de pura fantasia. Mas uma das coisas que tenho aprendido é que há um tempo para tudo e que não há como fugir daquilo que você é interiormente. Eu nasci para ser um artista, e ser sonhador é o requisito número um para quem quer prosseguir nesta empreitada. Por isso não me arrependo das horas gastas no terraço do consultório do meu pai, estudando as nuvens e o pôr do sol, ouvindo sonoridades inspiradoras tiradas das guitarras e sintetizadores do rock progressivo, lendo FC ou, principalmente, pintando meus fantasiosos e ingênuos quadros sobre mundos distantes. Portanto, no que pese toda a minha alienação daquela época (que, diga-se de passagem, não era uma característica só minha) aprendi e cresci muito ao seguir minhas inclinações naturais para a arte e para a fantasia.

Hoje estou "com um pé no chão", minhas pinturas e demais trabalhos seguem outros rumos, mas nunca deixarão de refletir estas experiências iniciais e minha vontade de trilhar caminhos desconhecidos. Afinal de contas, o artista tem que ser um desbravador, permitindo que sua imaginação sempre vá adiante em busca de novos mundos.


Lista dos trabalhos postados nesta postagem:

1- Anjos Destruidores - óleo s/ mansonite, 48 x 48 cm - 1977.
2- Saltando Para o Infinito - óleo s/mansonite, 40 x 60 cm - 1977.
3- Mundos Sobrepostos - óleo s/ mansonite , 50 x 70 cm - 1977.
4- A Montanha e os Ufos - óleo s/mansonite , 50 x 60 cm - 1977.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O Prazer de Pintar






Comecei muito cedo a lidar com pincéis e tintas, praticamente desde a infância. Naquela época, sentia um enorme prazer em aplicar as cores na superfície da tela, sentindo a vibração e a maciez da tinta ao ser espalhada sobre a textura do suporte. E embora me preocupasse com o que iria pintar, o que realmente me atraia era o ato em si, o lidar com os materiais e o prazer de descobrir como combinar as cores e montar as composições, tudo da forma mais intuitiva e autodidata possível.

Hoje, passados tantos anos, apesar de tudo o que aprendi e vivi, quando vou iniciar uma pintura ainda vibra dentro de mim a mesma emoção daquela época, sinto o mesmo interesse e prazer. Logicamente já não mais estou tateando numa terra desconhecida, pois muito caminho já trilhei dentro dela, mas sempre me proponho novos desafios para manter vivo em mim aquele "fogo criativo" que me impele a continuar pintando.

Contudo, houve momentos de "aperto" em que me perguntei se, diante de todos os obstáculos de ordem prática e financeira, fazia sentido continuar laborando em tal atividade, tão pouco compreendida e mal remunerada. Mas tais dúvidas logo sucumbiam diante da enorme vontade de pintar e, de um jeito ou de outro, sempre fui encontrando uma saída para continuar criando meus quadros, como faço até hoje.

Quando comecei a mexer com tintas (primeiro com guache e depois tinta a óleo), lá pelos 12 anos, qualquer assunto me servia: um chalé avistado num passeio na serra, meu cachorro se coçando, temas místicos e bíblicos ( nesta ocasião gostava de ler trechos do Velho Testamento), visões futuristas, fantasias juvenis etc. Depois fui tomando contato com livros de arte, emprestados por uma vizinha que era bibliotecária e queria me incentivar, e passei "recriar" os grandes mestres. Coloco desta forma porque nunca gostei de ficar copiando a pintura de outros artistas mas sim de criar as minhas e, por conta disso, fiz várias combinações curiosas entre estilos, por exemplo: juntando o pontilhismo pós-impressionista com o expressionismo de Modigliani ou combinando o cubismo de Picasso com minhas fantasias futuristas. Tudo isso serviu para mim como um grande aprendizado mas aos poucos fui procurando um caminho mais pessoal, inicialmente dentro das questões de ordem temática e depois, ainda que de maneira inconsciente, dentro de contextos também formais.

Vem daí que aquela que hoje posso chamar de minha primeira fase artística, ainda juvenil mas já muito organizada em relação ao caos inicial, surgiu lá pela segunda metade dos anos 70 e durou até 1983, quando eu já era aluno da Escola de Belas Artes da UFRJ. Esta fase se caracteriza por ser inspirada no Rock Progressivo e em filmes e literatura de Ficção Científica, aos quais eu adorava e gosto até hoje. Nos trabalhos produzidos então, principalmente nos primeiros, predominavam as paisagens desérticas, de planetas distantes e inalcansáveis (a não ser pela imaginação), pintados principalmente em tons de azul. A tinta a óleo era muito esbatida, quase sem pinceladas aparentes, as passagens entre os tons feitas de forma suave (contudo, quando pintava com tinta acrílica as áreas coloridas eram geralmente mais recortadas, definidas, e o trabalho tornava-se uma pouco mais gráfico). Os céus eram imensos, às vezes cheios de nuvens ou esquentados pelos tons avermelhados do pôr do sol; já as noites eram profusamente estreladas, onde surgiam planetas exóticos e coloridos ou pequenas naves espaciais em forma de esfera ou de pirâmide. Por causa de fantasias deste gênero, de cunho bastante ilustrativo (mas muito sugestivas) meus colegas da EBA me chamavam na época (entre 81 e 84) de "Ricardinho Espacial".

Para ilustrar, postei as imagens acima, do final desta fase, que possuem um "pé"no surrealismo, tendo sido realizadas em 82 e 83 . Chamei (recentemente) a esta fase de "O Outro Lado da Realidade". A pintura de que mais gosto é a que está em destaque abaixo das outras ,"A Viagem de Titan" (óleo s/ mansonite, 120 X 80 cm). As outras chaman-se (na ordem em que foram colocadas): "Asteróide", "Eles Estão Chegando", "Surgiu ao Entardecer" "Tarde Ensolarada" (muito modificada por mim há quatro anos atrás), todas em óleo s/ mansonite, medindo 120 X 80 cm. Futuramente, trarei outras imagens representativas desta fase importante em minha carreira.

domingo, 17 de junho de 2007

Pintura, cerâmica,xilogravura e escultura - facetas de uma só arte



Hoje, aos 46 anos, revendo meu percurso artístico, sou capaz de enxergar com clareza todo o caminho percorrido, percebendo o quanto criações que eu considerava como muito diferentes entre si são, na realidade, irmãs, ainda que realizadas em gêneros diferentes de arte. Tal fenômeno se dá porque, sempre fui fiel as minhas intuições e convicções íntimas, nunca aderindo às influências ou modismos que me desviassem daquilo que sou como pessoa.

Mas tudo começou a partir da pintura, que para mim, era a única "grande arte", aquela a qual deveria me dedicar inteiramente. Contudo, no contato com o mundo acadêmico, através da graduação na EBA/UFRJ, descobri outras possibilidades de expressão igualmente poderosas e instigantes, a começar pela cerâmica e, a seguir, pela xilogravura. A escultura veio um pouco depois, em decorrência das minhas experiências com a argila no campo do tridimencional.

E o mais interessante em tudo isso é que em cada um destes gêneros, dentro de cada um deles, existem várias fases distintas, caminhos iniciados e só parcialmente trilhados, mas que no fim parecem sempre levar um contexto, a um mundo, a uma visão-de-mundo - a minha.

Esta coerência é fundamental, pois denota uma linguagem própria, um jeito pessoal de comunicação, através de uma forma contundente que pode passar um ou vários conteúdos, sejam eles de teor extra -plásticos ou puramente plásticos.Isto sem que haja repetição, sem maneirismos entediosos, pois arte que se repete deixa de ser arte para virar simples manufatura de objetos.

Por isso me considero um artista multifacetado mas coerente, que procura dar o seu "recado" ao mundo de uma forma particular, inspirada e inspiradora, através de imagens que propaguem beleza, força, fé na vida, confiança, esperança e a intenção de ativar aquele lado sonhador e mais interessante que existe dentro de todos nós.