sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

POLÍPTICO MURAL: O QUE O POVO QUER SABER?

Durante as duas primeiras semanas de janeiro deste ano de 2013 realizei uma pintura mural no muro da residência onde moram minha irmã, Regilan, e minha mãe, D. Zezé. Como futuramente esta residência poderá se transformar num ponto de encontro para discussões sobre Teatro, que é a área de interesse profissional de minha irmã, propus como tema a criação de cinco "retratos afro-brasileiros" que funcionassem como "vizinhos" em diálogo e, ao mesmo tempo, fossem como atores mascarados em cena. Com a aprovação imediata da proposta, iniciei o trabalho.

O muro da fachada que foi usado como suporte é muito sólido e bem construído, medindo 1,54 X 6,86 cm. Ele apresentava uma abertura redonda de meia polegada para escoar a água da chuva, que foi fechada (a água da chuva agora é escoada por outra passagem fora do muro). Estava revestido por algumas camadas de tinta epóxi e acrílica na cor verde, resistentes mas desgastadas. Porém, a maior dificuldade a ser vencida seria a forte textura quadriculada apresentada pelo revestimento original feito com ladrilhos cerâmicos. Como esta textura me dificultaria muito a execução da pintura, decidi nivelá-la com massa acrílica de boa qualidade.

Os passos da preparação do muro antes da execução da pintura foram os seguintes:

1 - Lixamento de toda a superfície com lixa d'água visando remover as partes soltas da pintura verde existente, lavando-a abundantemente, a seguir, com água.

 2 - Aplicação, com rolo de lã, de duas camadas selador acrílico de boa marca comercial.

3 - Após demarcação das áreas das figuras, aplicação de duas camadas  massa acrílica de boa marca comercial, nivelando-as a seguir com lixadeira elétrica.

4 - Aplicação de nova camada de selador acrílico.

5 - Aplicação de uma camada de tinta acrílica na cor ocre, de boa marca comercial, visando dar um base de cor terciária para iniciar a pintura.

Após a realização destas etapas preparatórias, lancei o desenho, cujo projeto está apresentado mais adiante, e dei início a obra. Tive o cuidado de realizá-la segundo uma sequência bem ordenada, buscando manter sempre uma leitura clara do conjunto, deixando os detalhes individuais de cada figura para o final. Utilizei na pintura tinta acrílica para artistas de duas marcas nacionais muito conhecidas e de boa qualidade, vendida em potes plásticos. Após o término, apliquei uma camada de verniz acrílico para paredes, também de ótima marca comercial, protegendo a obra contra danos por um bom tempo.

A  sequência de fotos seguinte mostrará o andamento de todo o processo desde a preparação do muro até a sua conclusão:

1- Estado em que se encontrava o muro antes do início da preparação.

2 - Lixando o muro com lixa d'água.

3 - Detalhe do lixamento.

4 - Lavando o muro após o lixamento.


5 - Detalhe mostrando o forte relevo quadriculado do muro.


6- Aplicação de selador acrílico.

7 - Aplicação de selador acrílico.
8 - Aplicação de massa acrílica com desempenadeira de aço.

9 - Detalhe da aplicação da massa acrílica.



10 - Lixando a massa após a secagem total da mesma.


11 - Detalhe do lixamento da massa acrílica com lixadeira elétrica..


12 - Após a aplicação de uma camada de selador acrílico sobre a massa lixada, aplicação de base acrílica na cor ocre.

13 - Lançamento do desenho com lápis litográfico.

14 - Lançamento do desenho com lápis litográfico.

15- Lançamento do desenho com lápis litográfico.


16 - Lançamento do desenho com lápis litográfico.

17 - Lançamento do desenho com lápis litográfico.

18 - Lançamento do desenho com lápis litográfico.



19 - Muro com o desenho lançado.

20 - Ricardo A. B. Pereira -"O Que o Povo Quer Saber?" projeto para políptico mural, lápis de cor sobre papel milimetrado, 8,5 X 42 cm, 2013.


21 - Lançamento da segunda cor - "céu" da paisagem do fundo.
22 - Lançamento da terceira cor - "colinas" da paisagem do fundo.


23 - Lançamento parcial das cores do fundo e das figuras.


24 - Conclusão da primeira etapa da pintura com o lançamento completo de todas as cores do fundo e das figuras.



25 - Trabalhando nos detalhes de uma das figuras.


26 - Trabalhando na passagem de tom no "céu " ao redor de uma das figuras.


27 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?", políptico mural, tinta acrílica, 1,54 X 6,86 cm, 2013. (mural concluído)






28 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?", políptico mural, tinta acrílica, 1,54 X 6,86 cm, 2013 (mural concluído - vista frontal da fachada).

29 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?", políptico mural, tinta acrílica, 1,54 X 6,86 cm, 2013 (mural concluído - vista lateral da fachada).

30 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?", políptico mural, tinta acrílica, 1,54 X 6,86 cm, 2013 (mural concluído - vista lateral da fachada).



31 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?" Políptico mural,  Figura 1.

32 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?" Políptico mural,  Figura 2.

33 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?" Políptico mural,   Figura 3.

34 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?" Políptico mural,   Figura 4. .






35 - Ricardo A. B. pereira - "O Que o Povo Quer Saber?" Políptico mural,   Figura 5.


36 - Detalhe.

37 - Detalhe.



38 - Detalhe.

39 - Detalhe.






40 - Detalhe.

41 - Detalhe.





42 - Detalhe.

43 - Detalhe.
44 - Detalhe.

45 - Detalhe.

46 - Detalhe.

 47 - Detalhe.












Durante a execução da pintura a curiosidade dos vizinhos e dos passantes foi muito despertada. Todos queriam saber o que viria a funcionar na casa, se seria escola, creche, igreja (?!), salão de festas. Ficavam surpresos ao saberem que, por enquanto, a casa continuaria sendo apenas uma residência familiar. Pensando nisso - e nas perguntas do tipo: "são egípcios?", "são carrancas?" "São maçons?" "São capetas"? -, resolvi intitular o trabalho como "O Que o Povo Quer Saber?". Enfim, é uma obra aberta as mais variadas leituras como tudo o que faço. Todavia, tem como base a nossa ancestralidade africana, a Cultura Popular Brasileira e algumas referências composicionais à pintura do Renascimento.

Pelos comentários que obtive espontaneamente da maioria dos que pararam para falar comigo, pude concluir que o trabalho agradou aos vizinhos e ao povo que passa por ali diariamente. Sendo assim, acredito que esta pintura, por sua estranheza naquele ambiente simples e suburbano, marcou o espaço, introduzindo um elemento novo e chamativo para o local. Além disso, eu creio, acrescentou um toque de humor não só á residência da minha família como à toda rua, obrigando as pessoas a saírem, mesmo que rapidamente, de suas rotinas e a se aproximarem de um universo diferente do cotidiano - o universo da arte.

Fiquei muito feliz por ter podido concluir este políptico mural, que mesmo tendo sido feito com muita pressa (por causa de outros compromissos urgentes), atingiu seu objetivo maior que era o de transformar para melhor a fachada da casa e, por conseguinte, o ambiente ao redor.

É neste sentido que sempre afirmo: a Arte pode melhorar o mundo.


domingo, 23 de setembro de 2012

PAISAGENS PERIFÉRICAS

 Ricardo A. B. Pereira, "Entardecer na Praia das Pedrinhas", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 64,5 X 46 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Montanha no caminho para Mauá", p. de cera e óleo s. tela colada em mansonite, 47 X 39 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Muro de Hera em Mauá", p. de cera e  óleo s. tela colada em compensado, 55 X 40 cm, 2012.


Ricardo A. B. Pereira, "Rio Preto em Mauá". óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 29 X 48,5 cm, 2012 - v. 2
Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca III", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 57,5 X 78,5 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca IV", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 48 X 51,5 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca V", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado,  46 X 39 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca', óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 48 X 43 cm, 2012.
Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca II", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 45,5 X 67 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Poente na Ilha do Fundão", p. de cera e óleo sobre tela colada em compensado, 66 X 50,5 cm, 2012.




Após concluir o mestrado em Artes Visuais na linha de pesquisa de História e Crítica da Arte, defendendo no dia 21/09/2012 a dissertação "Canudos - Tragédia e Arte na Xilogravura de Adir Botelho" - que foi aprovada e indicada para publicação - retorno ao blog, depois de longa data, para postar algumas obras novas. Estes trabalhos reunidos sob o título "Paisagens Periféricas" foram, em sua maioria, realizados nos intervalos das minhas pesquisas teóricas ou dos períodos de escrita das monografias de disciplinas e da dissertação. Foram, portanto,criados com o intuito principal de descanso e relaxamento da mente.
Por este motivo, escolhi pintar paisagens, gênero que já abordei em outros momentos e do qual já postei aqui alguns exemplos criados por mim (a série “Trancoso” e outros exemplos). 

Como não me considero um especialista em paisagem vejo estas pinturas como exercícios interessantes que me proporcionaram a oportunidade de experimentação de técnicas e de abordagens pessoais. Algumas delas (ou todas) resultaram um tanto “ingênuas” em sua aparência, mas isto é, talvez, uma característica do meu trabalho na maior parte do que faço (pintura, cerâmica, xilogravura), contra a qual não me indisponho, considerando-a como um fato consumado - está em minha veia de artista "com um pé" na Arte Popular (aliás, este foi um dos temas abordados em minha dissertação ao analisar a xilogravura de Adir Botelho).

O título geral “Paisagens Periféricas” refere-se a locais periféricos ao grande centro urbano próximo do qual resido, a cidade do Rio de Janeiro.  São imagens de recantos do bairro do Fonseca em Niterói (RJ), que costumo percorrer a pé, de passeios na localidade de Mauá, perto de Resende (RJ) e até uma vista da Praia das Pedrinhas em São Gonçalo (RJ),  local que me trás boas recordações da infância.

Enfim, são trabalhos despretensiosos, realizados principalmente pelo prazer de pintar e de construir através da pintura uma leitura pessoal de localidades simples, mas que guardam um beleza natural que me toca e que me faz tentar perpetuá-la através dos meus pincéis e espátulas. São, desta maneira, coloridos, alegres e vibrantes porque é assim que vejo a natureza e a vida.

Pretendo realizar outras paisagens e assim que estiverem prontas serão postadas aqui.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Grandes Painéis - Cabeças Gigantes (2003)

Recentemente minha esposa, Bete Grillo, encontrou uma foto onde nossa filha aparece no meio de quatro grandes painéis que pintei sob encomenda, no ano de 2003, para a galeria Artmosphere, localizada em Palm Beach, EUA. Para além da curiosidade de mostrar minha filha minúscula ao lado destes enormes “cabeções”, esta foto me fez lembrar um momento de muito trabalho ligado à série Pelikan Bay Hotel, composta por 144 pinturas feitas para as dependências deste hotel em 2002 (ver “postagens mais antigas” ou “histórico do blog”). Estes quatro painéis foram realizados em têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre MDF a partir de quatro pinturas daquela série, com o objetivo de serem expostos em grandes espaços internos - as salas das mansões de Palm Beach e adjacências. Deram-me uma trabalheira enorme, tanto para pinta-los quanto para fazer os seus suportes que medem 250 X 150cm. Mas foi muito bom realiza-los e ver que, apesar de terem partido de outras obras minhas, estes painéis não são meras cópias, mas tem vida própria. Por outro lado, eles possuem grande ligação com as minhas pinturas “afro-brasileiras”.







Ricardo Pereira - painéis - 2003.

Por hoje é só. Tem mais em breve.

sábado, 27 de novembro de 2010

Mathias - Novo retrato Afro-Brasileiro

Este tema dos "Retratos Afro-Brasileiros" (ou "Afrobrasileiros" segundo a nova ortografia portuguesa) pode ser desenvolvido infinitamente e, portanto, enquanto me interessar por ele vou lhe dar prosseguimento através de novos exercícios, buscando sempre criar figuras que, ainda que tenham suas particularidades específicas, sejam estilisticamente relacionadas ao conjunto total da série.

Desta vez trago o "Mathias" (nome sugerido por minha filha) que, como podem ver, é um sujeito anguloso, sorridente e colorido. Como seus outros amigos, ele é construído muito graficamente, tendo como suporte uma superfície rígida preparada com colagem de tecidos com texturas diferentes, tecidos estes cujo objetivo principal é me impor uma dificuldade inicial ao lançamento da forma figurativa. A estilização geometrizada das formas, derivada da arte africana (que muitos associarão ao Cubismo), me ajuda a “assentar” a figura sobre tais elementos colados, sendo as diversas áreas da face definidas pelo jogo criado entre as cores. Estas são lançadas entre as linhas brancas construtivas da forma, sendo sua aplicação feita em camadas sucessivas a partir da primeira cor em têmpera (neste caso um azul ultramar bastante profundo); as cores subseqüentes foram aplicadas com a minha já tradicional mistura de óleo e pasta de cera (ou “pseudoencáustica”).

O resultado pode ser visto tanto como uma figura - uma cabeça - extremamente estilizada quanto um jogo muito dinâmico de cores, formas e texturas sobre uma superfície plana; jogo este com o qual muito me identifico e que é, no fim das contas, meu principal interesse. É para mostrar mais de perto este jogo que, como nos meus dois trabalhos anteriores (os “Autoretratos”), resolvi apresentar também uma série de detalhes da obra – recortes - alguns deles que são verdadeiras obras abstratas independentes. Isto, para mim, deixa muito claro que no fundo esta diferenciação entre “abstrato” e “figurativo” não tem muito sentido, pois toda a pintura é construída a partir de conceitos abstratos e utilizando elementos formais fundamentalmente abstratos (como a linha). Portanto, uma coisa leva a outra e vice-versa.

Até a próxima.



Ricardo Pereira - "Mathias" - colagem, têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 91 cm - 2010.



Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhes 1 e 2.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhes 3 e 4.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhes 4 e 5.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhe 6 e 7.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhe 8.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Autoretrato Com Gorro Africano

Prosseguindo na criação de “autoretratos”, acabei de realizar este “Autoretrato com Gorro Africano” dentro das mesmas características de estilo do anterior, ambos relacionados a esta série que venho realizando no contexto “afro-brasileiro”.

Como no outro trabalho, tive a intenção de criar uma imagem onde convivessem elementos abstratos e figurativos numa espécie de “tensão harmonizada”. Ou seja, em cima de uma estrutura abstrata, relativamente geometrizada (construída com colagens de recortes de tecidos de formatos e texturas diferentes), lancei o desenho simplificado do meu autoretrato, sabendo de antemão que tal estrutura e desenho iriam estar em conflito.

Como não houve qualquer planejamento prévio, a idéia foi a de me propor o desafio de tentar harmonizar uma coisa com a outra através do improviso quase total, ainda mantendo as características básicas das duas propostas (as da abstração e da figuração), colocando-as numa espécie de "convivência forçada". Como nos trabalhos recentes, a “costura” entre estes dois elementos díspares se deu através da cor e dos elementos gráficos e lineares introduzidos. Fazendo uso de cores complementares (que se contrastam enquanto se atraem) e relacionando determinadas áreas geométricas dentro da figura com outras do lado de fora através destas cores e dos elementos lineares, criei ligações visuais entre setores internos e externos, “prendendo” o desenho figurativo na trama abstrata. Como o autoretrato se baseia num linearismo muito simples (só linha, sem claro-escuro) sendo, portanto, transparente, este jogo entre formas, cores e linhas se torna relativamente equilibrável. E para assentar um pouco mais facilmente as coisas, diferentemente do autoretrato anterior, neste acabei por optar por um plano de fundo em padrão liso e único, de cor vermelha forte com linhas verticais verdes, sobre o qual se desenrola o embate entre abstração e figuração.

Também introduzi áreas pintadas de branco, coincidentes com o elemento figurativo, para ajudar na leitura da forma; e, arrematando, um elemento temático, fortemente geométrico, em preto e branco, foi colocado no alto da cabeça da figura com a função de criar mais uma ponte entre os contextos abstrato e figurativo. Desta maneira, o olhar do espectador pode passear seguindo o forte caminho da linha preta de contorno, indo até o gorro e voltando, ou pegar “atalhos” no meio de percurso para perambular sobre as linhas coloridas das formas geométricas, saltitando pelos elementos gráficos rítmicos ou atravessando mais lentamente as asperezas coloristicamente acentuadas e diferenciadas dos tecidos colados ao suporte (principalmente se olhar mais de perto).

Comparando este autoretrato com o anterior, considero este resultado visualmente mais simples e direto. Por outro lado, nos dois casos a verossimilhança não foi muito respeitada; contudo, isto não me preocupa, principalmente porque sei que todos nós somos compostos por vários “eus”; então, que este “eu com gorro africano" seja apenas mais uma das minhas várias facetas. Outras virão mais adiante.




1- Ricardo Pereira - "Autoretrato com Gorro Africano" - colagem, têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 90 X 60 cm - 2010.



2- Detalhe A.


3- Detalhe B.


4- Detalhe C.



5- Detalhe D.



6- Detalhe E.

sábado, 2 de outubro de 2010

Auto-Retrato Afro-Quantico Com Óculos de Aro Prateado

Desta vez retorno ao tema do "Auto-retrato", mas não com desenho ou gravura e sim com pintura. Nesta experiência tive a intenção de ser coerente com os meus "Retratos Afro-Brasileiros" que venho criando e postando aqui ultimamente. E na busca desta coerência cheguei a um resultado que considero bastante curioso e exótico – este sou eu um pouco mais novo, mais magro, mais bonito (por que não?) e "afro-quantico" (quem quiser pode tentar descobrir o que significa isso).

Junto com a imagem completa, postei vários detalhes fotografados com a lente macro para dar uma idéia das texturas diferenciadas dos diversos tecidos que colei ao suporte e do empastamento da tinta aplicada (óleo e a pasta de cera sobre uma camada inicial de têmpera de caseína). A pintura sobre tecidos diferentes colados ao suporte tem me atraído muito porque resulta em situações difíceis de serem resolvidas (gosto de desafios), já que estas colagens não são aplicadas em função do desenho - este é que tem que ser adaptado a elas. Com isso me forço para introduzir um elemento figurativo sobre uma base abstrata quase que aleatoriamente montada.

Além disso, existe a questão das cores; estas são aplicadas sobre os tecidos colados geralmente em fortes contrastes definindo as áreas exatas dos tecidos. Então tenho que conseguir harmonizar texturas diferentes, formas diversas (áreas de cor diferentes) e o desenho figurativo aplicado por cima (a máscara “afro-brasileira” ou o auto-retrato). Para conseguir este feito lanço mão de elementos gráficos como pontos, traços e linhas de diversos tipos, todos também em cores relacionadas com as cores iniciais lançadas (por serem complementares ou da mesma família, dependendo da situação). Tais elementos criam ritmos visuais interessantes que funcionam como sub-temas ligados ao contexto abstrato inicial. Com as máscaras, que já são muito estilizadas, tais grafismos se encaixam muito bem, mas com meu auto-retrato desenhado com uma estilização mínima (pois me interessava que ficasse um pouco parecido comigo) tive mais dificuldades. Mas a partir do momento em que tudo foi se entrosando, o trabalho começou a ganhar consistência até chegar num ponto em que, se fosse tentar prosseguir, me arriscaria a perder o que de interessante já fora alcançado.

Bom, deixo o resto por conta da avaliação de vocês.


Ricardo Pereira - "Auto-Retrato Afro-Quantico Com Óculos de Aro Prateado" - colagem,têmpera de caseína, acrílica, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010.



Detalhes 1 e 2.


Detalhes 3 e 4.


Detalhes 5 e 6.


Detalhes 6 e 7.

Detalhes 8 e 9.

Detalhes 10 e 11.


Detalhes 12 e 13.


Detalhes 14 e 15.


Detalhes 16 e 17.
Um abraço a todos e até a próxima.
Ricardo A. B. Pereira