domingo, 23 de setembro de 2012

PAISAGENS PERIFÉRICAS

 Ricardo A. B. Pereira, "Entardecer na Praia das Pedrinhas", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 64,5 X 46 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Montanha no caminho para Mauá", p. de cera e óleo s. tela colada em mansonite, 47 X 39 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Muro de Hera em Mauá", p. de cera e  óleo s. tela colada em compensado, 55 X 40 cm, 2012.


Ricardo A. B. Pereira, "Rio Preto em Mauá". óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 29 X 48,5 cm, 2012 - v. 2
Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca III", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 57,5 X 78,5 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca IV", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 48 X 51,5 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca V", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado,  46 X 39 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca', óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 48 X 43 cm, 2012.
Ricardo A. B. Pereira, "Passeio no Fonseca II", óleo e p. de cera sobre tela colada em compensado, 45,5 X 67 cm, 2012.

Ricardo A. B. Pereira, "Poente na Ilha do Fundão", p. de cera e óleo sobre tela colada em compensado, 66 X 50,5 cm, 2012.




Após concluir o mestrado em Artes Visuais na linha de pesquisa de História e Crítica da Arte, defendendo no dia 21/09/2012 a dissertação "Canudos - Tragédia e Arte na Xilogravura de Adir Botelho" - que foi aprovada e indicada para publicação - retorno ao blog, depois de longa data, para postar algumas obras novas. Estes trabalhos reunidos sob o título "Paisagens Periféricas" foram, em sua maioria, realizados nos intervalos das minhas pesquisas teóricas ou dos períodos de escrita das monografias de disciplinas e da dissertação. Foram, portanto,criados com o intuito principal de descanso e relaxamento da mente.
Por este motivo, escolhi pintar paisagens, gênero que já abordei em outros momentos e do qual já postei aqui alguns exemplos criados por mim (a série “Trancoso” e outros exemplos). 

Como não me considero um especialista em paisagem vejo estas pinturas como exercícios interessantes que me proporcionaram a oportunidade de experimentação de técnicas e de abordagens pessoais. Algumas delas (ou todas) resultaram um tanto “ingênuas” em sua aparência, mas isto é, talvez, uma característica do meu trabalho na maior parte do que faço (pintura, cerâmica, xilogravura), contra a qual não me indisponho, considerando-a como um fato consumado - está em minha veia de artista "com um pé" na Arte Popular (aliás, este foi um dos temas abordados em minha dissertação ao analisar a xilogravura de Adir Botelho).

O título geral “Paisagens Periféricas” refere-se a locais periféricos ao grande centro urbano próximo do qual resido, a cidade do Rio de Janeiro.  São imagens de recantos do bairro do Fonseca em Niterói (RJ), que costumo percorrer a pé, de passeios na localidade de Mauá, perto de Resende (RJ) e até uma vista da Praia das Pedrinhas em São Gonçalo (RJ),  local que me trás boas recordações da infância.

Enfim, são trabalhos despretensiosos, realizados principalmente pelo prazer de pintar e de construir através da pintura uma leitura pessoal de localidades simples, mas que guardam um beleza natural que me toca e que me faz tentar perpetuá-la através dos meus pincéis e espátulas. São, desta maneira, coloridos, alegres e vibrantes porque é assim que vejo a natureza e a vida.

Pretendo realizar outras paisagens e assim que estiverem prontas serão postadas aqui.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Grandes Painéis - Cabeças Gigantes (2003)

Recentemente minha esposa, Bete Grillo, encontrou uma foto onde nossa filha aparece no meio de quatro grandes painéis que pintei sob encomenda, no ano de 2003, para a galeria Artmosphere, localizada em Palm Beach, EUA. Para além da curiosidade de mostrar minha filha minúscula ao lado destes enormes “cabeções”, esta foto me fez lembrar um momento de muito trabalho ligado à série Pelikan Bay Hotel, composta por 144 pinturas feitas para as dependências deste hotel em 2002 (ver “postagens mais antigas” ou “histórico do blog”). Estes quatro painéis foram realizados em têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre MDF a partir de quatro pinturas daquela série, com o objetivo de serem expostos em grandes espaços internos - as salas das mansões de Palm Beach e adjacências. Deram-me uma trabalheira enorme, tanto para pinta-los quanto para fazer os seus suportes que medem 250 X 150cm. Mas foi muito bom realiza-los e ver que, apesar de terem partido de outras obras minhas, estes painéis não são meras cópias, mas tem vida própria. Por outro lado, eles possuem grande ligação com as minhas pinturas “afro-brasileiras”.







Ricardo Pereira - painéis - 2003.

Por hoje é só. Tem mais em breve.

sábado, 27 de novembro de 2010

Mathias - Novo retrato Afro-Brasileiro

Este tema dos "Retratos Afro-Brasileiros" (ou "Afrobrasileiros" segundo a nova ortografia portuguesa) pode ser desenvolvido infinitamente e, portanto, enquanto me interessar por ele vou lhe dar prosseguimento através de novos exercícios, buscando sempre criar figuras que, ainda que tenham suas particularidades específicas, sejam estilisticamente relacionadas ao conjunto total da série.

Desta vez trago o "Mathias" (nome sugerido por minha filha) que, como podem ver, é um sujeito anguloso, sorridente e colorido. Como seus outros amigos, ele é construído muito graficamente, tendo como suporte uma superfície rígida preparada com colagem de tecidos com texturas diferentes, tecidos estes cujo objetivo principal é me impor uma dificuldade inicial ao lançamento da forma figurativa. A estilização geometrizada das formas, derivada da arte africana (que muitos associarão ao Cubismo), me ajuda a “assentar” a figura sobre tais elementos colados, sendo as diversas áreas da face definidas pelo jogo criado entre as cores. Estas são lançadas entre as linhas brancas construtivas da forma, sendo sua aplicação feita em camadas sucessivas a partir da primeira cor em têmpera (neste caso um azul ultramar bastante profundo); as cores subseqüentes foram aplicadas com a minha já tradicional mistura de óleo e pasta de cera (ou “pseudoencáustica”).

O resultado pode ser visto tanto como uma figura - uma cabeça - extremamente estilizada quanto um jogo muito dinâmico de cores, formas e texturas sobre uma superfície plana; jogo este com o qual muito me identifico e que é, no fim das contas, meu principal interesse. É para mostrar mais de perto este jogo que, como nos meus dois trabalhos anteriores (os “Autoretratos”), resolvi apresentar também uma série de detalhes da obra – recortes - alguns deles que são verdadeiras obras abstratas independentes. Isto, para mim, deixa muito claro que no fundo esta diferenciação entre “abstrato” e “figurativo” não tem muito sentido, pois toda a pintura é construída a partir de conceitos abstratos e utilizando elementos formais fundamentalmente abstratos (como a linha). Portanto, uma coisa leva a outra e vice-versa.

Até a próxima.



Ricardo Pereira - "Mathias" - colagem, têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 91 cm - 2010.



Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhes 1 e 2.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhes 3 e 4.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhes 4 e 5.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhe 6 e 7.


Ricardo Pereira - "Mathias" - detalhe 8.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Autoretrato Com Gorro Africano

Prosseguindo na criação de “autoretratos”, acabei de realizar este “Autoretrato com Gorro Africano” dentro das mesmas características de estilo do anterior, ambos relacionados a esta série que venho realizando no contexto “afro-brasileiro”.

Como no outro trabalho, tive a intenção de criar uma imagem onde convivessem elementos abstratos e figurativos numa espécie de “tensão harmonizada”. Ou seja, em cima de uma estrutura abstrata, relativamente geometrizada (construída com colagens de recortes de tecidos de formatos e texturas diferentes), lancei o desenho simplificado do meu autoretrato, sabendo de antemão que tal estrutura e desenho iriam estar em conflito.

Como não houve qualquer planejamento prévio, a idéia foi a de me propor o desafio de tentar harmonizar uma coisa com a outra através do improviso quase total, ainda mantendo as características básicas das duas propostas (as da abstração e da figuração), colocando-as numa espécie de "convivência forçada". Como nos trabalhos recentes, a “costura” entre estes dois elementos díspares se deu através da cor e dos elementos gráficos e lineares introduzidos. Fazendo uso de cores complementares (que se contrastam enquanto se atraem) e relacionando determinadas áreas geométricas dentro da figura com outras do lado de fora através destas cores e dos elementos lineares, criei ligações visuais entre setores internos e externos, “prendendo” o desenho figurativo na trama abstrata. Como o autoretrato se baseia num linearismo muito simples (só linha, sem claro-escuro) sendo, portanto, transparente, este jogo entre formas, cores e linhas se torna relativamente equilibrável. E para assentar um pouco mais facilmente as coisas, diferentemente do autoretrato anterior, neste acabei por optar por um plano de fundo em padrão liso e único, de cor vermelha forte com linhas verticais verdes, sobre o qual se desenrola o embate entre abstração e figuração.

Também introduzi áreas pintadas de branco, coincidentes com o elemento figurativo, para ajudar na leitura da forma; e, arrematando, um elemento temático, fortemente geométrico, em preto e branco, foi colocado no alto da cabeça da figura com a função de criar mais uma ponte entre os contextos abstrato e figurativo. Desta maneira, o olhar do espectador pode passear seguindo o forte caminho da linha preta de contorno, indo até o gorro e voltando, ou pegar “atalhos” no meio de percurso para perambular sobre as linhas coloridas das formas geométricas, saltitando pelos elementos gráficos rítmicos ou atravessando mais lentamente as asperezas coloristicamente acentuadas e diferenciadas dos tecidos colados ao suporte (principalmente se olhar mais de perto).

Comparando este autoretrato com o anterior, considero este resultado visualmente mais simples e direto. Por outro lado, nos dois casos a verossimilhança não foi muito respeitada; contudo, isto não me preocupa, principalmente porque sei que todos nós somos compostos por vários “eus”; então, que este “eu com gorro africano" seja apenas mais uma das minhas várias facetas. Outras virão mais adiante.




1- Ricardo Pereira - "Autoretrato com Gorro Africano" - colagem, têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 90 X 60 cm - 2010.



2- Detalhe A.


3- Detalhe B.


4- Detalhe C.



5- Detalhe D.



6- Detalhe E.

sábado, 2 de outubro de 2010

Auto-Retrato Afro-Quantico Com Óculos de Aro Prateado

Desta vez retorno ao tema do "Auto-retrato", mas não com desenho ou gravura e sim com pintura. Nesta experiência tive a intenção de ser coerente com os meus "Retratos Afro-Brasileiros" que venho criando e postando aqui ultimamente. E na busca desta coerência cheguei a um resultado que considero bastante curioso e exótico – este sou eu um pouco mais novo, mais magro, mais bonito (por que não?) e "afro-quantico" (quem quiser pode tentar descobrir o que significa isso).

Junto com a imagem completa, postei vários detalhes fotografados com a lente macro para dar uma idéia das texturas diferenciadas dos diversos tecidos que colei ao suporte e do empastamento da tinta aplicada (óleo e a pasta de cera sobre uma camada inicial de têmpera de caseína). A pintura sobre tecidos diferentes colados ao suporte tem me atraído muito porque resulta em situações difíceis de serem resolvidas (gosto de desafios), já que estas colagens não são aplicadas em função do desenho - este é que tem que ser adaptado a elas. Com isso me forço para introduzir um elemento figurativo sobre uma base abstrata quase que aleatoriamente montada.

Além disso, existe a questão das cores; estas são aplicadas sobre os tecidos colados geralmente em fortes contrastes definindo as áreas exatas dos tecidos. Então tenho que conseguir harmonizar texturas diferentes, formas diversas (áreas de cor diferentes) e o desenho figurativo aplicado por cima (a máscara “afro-brasileira” ou o auto-retrato). Para conseguir este feito lanço mão de elementos gráficos como pontos, traços e linhas de diversos tipos, todos também em cores relacionadas com as cores iniciais lançadas (por serem complementares ou da mesma família, dependendo da situação). Tais elementos criam ritmos visuais interessantes que funcionam como sub-temas ligados ao contexto abstrato inicial. Com as máscaras, que já são muito estilizadas, tais grafismos se encaixam muito bem, mas com meu auto-retrato desenhado com uma estilização mínima (pois me interessava que ficasse um pouco parecido comigo) tive mais dificuldades. Mas a partir do momento em que tudo foi se entrosando, o trabalho começou a ganhar consistência até chegar num ponto em que, se fosse tentar prosseguir, me arriscaria a perder o que de interessante já fora alcançado.

Bom, deixo o resto por conta da avaliação de vocês.


Ricardo Pereira - "Auto-Retrato Afro-Quantico Com Óculos de Aro Prateado" - colagem,têmpera de caseína, acrílica, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010.



Detalhes 1 e 2.


Detalhes 3 e 4.


Detalhes 5 e 6.


Detalhes 6 e 7.

Detalhes 8 e 9.

Detalhes 10 e 11.


Detalhes 12 e 13.


Detalhes 14 e 15.


Detalhes 16 e 17.
Um abraço a todos e até a próxima.
Ricardo A. B. Pereira

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Novos Personagens ou Retratos Afrobrasileiros

Dando continuidade a este tema da "afrobrasilidade"que venho desenvolvendo há algum tempo com mais intensidade, seguem estas novas pinturas. Elas possuem as mesmas características técnicas das anteriores, com o emprego de tecidos colados ao suporte como elementos visuais bastante evidenciados, porém integrados ao tema. Em alguns deles, os contrastes de cor, os elementos gráficos e os recortes marcados tendem a tornar-se o assunto principal, contudo logo a força expressiva dos tipos "afrobrasileiros" retomam o controle e a figuração se impõe.



   
Ricardo A. B. Pereira - "Oswaldo" - têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010.


   
Ricardo A. B. Pereira - "Tolentino" - têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010


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Ricardo Pereira - "Marciano" - têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010.

    
 
Ricardo Pereira - "Filomeno" - têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010.


   
 
Ricardo Pereira - "Duda" - têmpera de caseína, óleo e pasta de cera sobre mansonite - 60 X 90 cm - 2010.


Até a próxima.